Oração Ao Meu Pai

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“O coração já não grita tanto
E a violência se orgulha de seu povo. 
Que venham as chuvas, para que nos façamos santos.
Se houve guerra no passado, não seremos nós à guerrear de novo.
 
Pai, meu inimigo se tornou tão sábio.
Tá na espreita pra nos ver em prantos.
Não sei se ouvi de Ti, ou se foi um presságio.
Chuvas virão, e nos faremos santos.
 
No entanto…
 
Não posso abaixar a minha guarda.
Sábio inimigo se tornara bárbaro.
Devo secar o rastro da minha lágrima.
E bater asas como fazem os pássaros.
 
Pai, quisera eu ser como o cristal.
Transparecendo seu amor em mim.
Sendo eu a pedra que ofusca o mal;
A mesma rocha à proteger o jardim.” – Oração Ao Meu Pai, Rodrigo Ribeiro

Paiaço

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E quando o grito do meu medo me ensurdeceu de um ouvido,
dei-me conta de que o desespero caminhava comigo.

Acompanhado sozinho;
Do meu ‘eu’ inimigo;
O aroma das rosas, lembrava o gosto do espinho.

Palhaço da vida;
Pai aço do mundo;
Palhaço castiga…
… Pai aço que é surdo.

Do lado esquerdo do peito, fez-se a luz de outra vida.
Precisei de minhas lágrimas, para secar as feridas.
Era dada outra chance, ao homem que estava em dívida.
Pai aço agora, de alma’absolvida.

Minha cerveja, cancela;
Pr’eu cantar acapela;
Convencer a morena, que de tão linda e bela;
Fez o cessar de fogos, das duas partes da guerra.

Meu conflito era interno;
Eu fui palhaço no inferno;
Tive medo do inverno;
Me aqueci na certeza de ser o aço paterno.

Pai aço da vida;
Pai aço do mundo;
Pai aço calou…
… Tal palhaço imundo!

                                              Rodrigo Ribeiro

Vice-Versa

É sobre o amor essa minha poesia;
Mas dependendo de quem fala, ela me soa hipocrisia.
O amor se vestia de ironia.
Todo mundo te sentia, mas ninguém compreendia.

Pra cada poesia eu invento uma nova reza;
Eu não testo a paciência, é ela mesma quem me testa.
Meu mundo em festa, é frase tipo essa:
‘Andando devagar pra aprender chegar com pressa.’

Nunca fui vice, nesse jogo de quem ‘versa’;
Substantivo desconversa;
Advérbio é vice-versa;
Poesia-hipocrisia, sempre gera controversa.

O mesmo sentimento, em dois pontos de vista.
Viajar com calma para não morrer turista.
Coração não se visita;
Coração é o palpável do abstrato à quem conquista.

Meu amor, eu te peço muita calma!
Se entregue sã, que eu te devolvo sempre salva. – Rodrigo Ribeiro

“E, essa eu escrevi pra você, filho meu;
Que ainda não me pertence, e mesmo assim, já me tornou por inteiro seu.

Ai, da minha falta de juízo;
Como posso depositar em ti, criança, tudo aquilo que acho que preciso?
O que penso ser preciso, é estar contigo;
Mesmo antes que estejas comigo.

Apolo, o deus do sol;
Ou talvez tu sejas a Bárbara, minha preciosa.
Partes minha e dela – minha morena – pedaço de carne nossa;
Almas tão distintas, mas tão bonitas, reescrevendo os ‘porquês’ de nossas pequenas respostas.

Filho meu, agradeço até sua inexistência;
Tua alma tão poderosa, crava no meu peito tua presença…

No desejo de minha cabeça, tu vieste de antemão;
Teu pai te escreve, porque te sentiu no coração.” – Carta ao meu filho – Rodrigo Ribeiro

Aquela Morena…

“Ela anda e para – para parar a cidade.
Não que seja excesso de vaidade, mas exagero de maldade, que faz até gente velha chorar – lamentando a própria idade.
Como num conto de fantasia, fantasiada por ela mesma, exagero de beleza, a morena que parece dançar…
Enquanto dança, caminhando na areia da praia, bela que só ela, maestra a orquestra – que foi regida pelo mar;
Conheci outro sol no corpo moreno, daquela morena que fez de mim – menino garoto – escada para o ar.
Pra onde o vento levar, aprendendo a flutuar, levitando à si mesma como se não precisasse morar, fez sua morada em qualquer lugar;
Aquela morena, de beleza serena, fez de nós seu jardim, fez de mim seu refúgio, como num porto seguro, acendeu o escuro – brilhando o luar.
Brilhando o olhar, me tirou pra dançar, o garoto menino se percebeu um par, fizemos valsa no mar, almas despidas, desprotegidas – porém coloridas – aprendendo à navegar.
Naveguei na morena, que tão grande e pequena, dirigiu nossa cena, ignorou o problema no meu ‘eu’ menino, que tinha medo do (a)mar…
Foi no abraço dessa morena, que me senti num cinema, e assisti á nós dois, içar velas para velejar…” – Texto Apaixonado de Rodrigo Ribeiro

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“Pra cada mente, uma interpretação, mas deixa que eu me interpreto.
Pra cada alma, um coração, desde que seja sincero.
Pra cada palavra que a língua tenta conter;
Pra cada arrepio que a pele tenta esconder;
Conter o quê?
Esconder o quê?
Se tudo o que vivo, eu respiro de você.” – Rodrigo Ribeiro

Tudo o que eu tenho é apenas 10 dias

Se minhas palavras fossem seu alimento, você seria nutrido ou envenenado?
Tudo o que me resta é apenas dez dias.
E, estando no fim da vida, eu adquiri uma nova percepção.
Eu deveria ter abraçado minha mãe um milhão de vezes, à cada cinco minutos;
Eu não deveria ter medo do que os outros iriam pensar, pois o meu achismo me impediu de me impedir;
Eu deveria ter desenhado em todos os muros da cidade, a história de amor que eu vivi com ela;
Eu não deveria ter me preocupado com dinheiro, e sim com o que fiz para consegui-lo;
Eu deveria ter dado tudo o que tenho, porque o meu tudo é tão pouco, e eu não deveria viver apegado;
Eu não deveria ter mentido para ninguém, minhas palavras vazias geraram expectativas irreais;
Eu deveria ter me apaixonado todos os dias, não por ela, mas por todo mundo;
Eu não deveria ter medo de arriscar, porque o meu viver, por si só, já é risco de vida;
Eu deveria ter dado meu sangue à todos aqueles que me juraram amizade;
Eu não deveria ter me preocupado em falar, porque hoje já não me lembro das coisas que ouvi;
Eu deveria ser agradecido pelos momentos tristes, pois eles estão lá, para me lembrar de que existiram momentos felizes;
Eu não deveria ter abaixado a cabeça quando o seu olhar me julgou, olhares por olhares, até o cão encoleirado observa a ave que voa livre;
Eu deveria ter adotado um gato, um ou cento e cinqüenta;
Eu deveria ter prestado atenção na lua, porque pára pra pensar, é uma rocha brilhosa que está flutuando;
Eu não deveria ter raiva de nada, é a raiva que deveria se calar perante o amor que trago comigo;
Eu deveria ter respeitado sua crença, se você pratica o bem, eu partilho dessa crença também;
Eu não deveria estar no fim da vida, para perceber que fiz tudo errado, não é?
Eu deveria recomeçar, e viver como se todos os dias fossem uma última poesia.

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Rodrigo Ribeiro

Ela é só dela

“Depois que Deus a fez, não houve inspiração para criar absolutamente mais nada tão belo quanto ela.
Ela é protótipo, pintura em aquarela, obra prima de divindade, e aquele sorriso merece moldura!
Nem Hera, nem Afrodite… ela é só dela.
Quando a lua toma o lugar do sol, é apenas para me provar que mesmo de olhos fechados, eu continuarei à vê-la.
Quando a vi, encontrei-me com meu reverso, meu lado inverso, oposto ao meu próprio bom senso.
Tudo o que escrevo, é apenas um plágio! Um plágio de tudo aquilo que encontrei no seu abraço.
E o barulho do mar, é só a maneira que Deus encontrou de aplaudir a sua presença.” – Essa eu dedico àquela mulher, que sem fazer nenhum barulho, rege uma orquestra no meu peito.
E querem saber? Eu só preciso dela.
Rodrigo Ribeiro

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Meu desespero

Quando a chuva cair, veremos nossa maldade refletida.
E ainda hoje, existem muitos anjos doentes responsáveis por nós.
Se não existe paraíso para os pecadores, porque os deuses insistem pela minha presença? Acreditem, isso significa mais para eles, do que para mim.
Percebi em mim um universo, descobri que meu corpo abriga um milhão de estrelas.
Percebi que estou no centro de lugar nenhum, e vagueio entre as beiradas do vazio.
Como posso ser agradecido por quem eu sou, sendo que nem me conheço?
E quando as sombras do inferno vierem colidir comigo, eu prometo não me esconder.
Enquanto enxergarmos nossa maldade através da chuva, jamais atravessaremos o céu.

Rodrigo Ribeiro

Teoria da Liberdade

“Segundo a definição do dicionário, liberdade é o poder de fazer escolhas ou tomar decisões. Se apeguem à essa palavra: poder. Se, você pode fazer escolhas, significa que alguém te deu as opções. Ou seja, fazemos escolhas dentro de opções que já existem. Estou exercendo liberdade? Se liberdade é o poder, significa que preciso ter poder, para ser ou pensar que sou livre. Tenho liberdade para morar na praia? Tenho! Mas, eu tenho o poder para fazer isso? Depende do meu financeiro… O que eu quero dizer, é que liberdade está diretamente ligada à um sistema. E tudo o que eu faça, ou deixe de fazer, favorece o sistema. Me pergunto: e se eu não quiser favorecer ou prejudicar ninguém? Tenho liberdade para isso? Se eu trabalhar, estarei favorecendo o sistema. Se eu não trabalhar, também estarei favorecendo o sistema. Pois, alguém terá que trabalhar mais, por menos, para sustentar aqueles que não trabalham. De qualquer forma, faço parte do sistema. Gastar dinheiro, não gastar, guardar, investir, desapegar… Tudo favorece. O que eu quero abordar, é: até que ponto sou livre? Tudo o que sei hoje, seja certo ou errado, me foi passado por uma pessoa, que já recebeu esses ensinamentos anteriormente. Nunca tive a oportunidade de agir por instinto. Tudo o que penso, foi ensinado por alguém. Hoje sei o que é Deus, porque me disseram o que Ele é. Porém, não tive permissão para tirar minhas próprias conclusões, pois culturalmente, dependendo do que eu faça, estarei blasfemando. Limites foram impostos até para meus pensamentos. Tenho a liberdade de pensar o que eu quiser, da figura de Deus? Tenho! Mas, eu tenho o poder para isso? Na minha concepção, religião foi criada como forma de controle. Alguem precisava limitar e controlar a massa. E, de onde veio essa necessidade de controle? Religião, significa ‘religar’. Me respondam: quem me deu poder, para me desligar de Deus? E porque eu posso me religar a hora que bem entender? Não faz sentido favorecer o sistema. O problema, é que favoreço, pois não sou livre para escolher. Tenho que fazer o bem para ir pro céu, e não fazer o mal, para não ir pro inferno. Então, devo fazer o bem por interesse, e não fazer o mal por medo? Que ser superior é esse, que tem acesso aos sentimentos humanos, como ódio, vaidade e ego? A intenção não é ferir sua crença, é questionar sua liberdade. Me impuseram valores, logo, sinto que fui treinado para servir. Na escola me diziam que eu tinha hora pra aprender, e hora para estudar. Porque? Porque eu não podia aprender enquanto brincava? No trabalho me diziam que eu poderia ser o que quisesse, da porta da empresa, pra fora. Porque? Porque eu tinha que assumir um personagem, para lidar com pessoas como eu, que também precisavam assumir personagens para lidar comigo enquanto profissional? Porque teria eu o poder de questionar e te fazer refletir sobre o que é liberdade? A resposta é simples; intuição! Esse é o lado feminino, totalmente oposto à razão. Muitas vezes você não gosta de alguém que acabou de conhecer. Racionalmente, essa pessoa não te fez nada, para você pensar assim. Intuitivamente, você sentiu que havia algo errado. A mulher é muito mais sensitiva e intuitiva do que o homem, o que me faz pensar que: se Deus é amor, ele é um sentimento. Se ele age por amor, é intuitivo, e não racional. Logo, Deus é feminino. Faz sentido, porque Deus deu a luz ao homem. Agora, porque eu levantei esse pensamento? Outra resposta simples! O mendigo te pede dinheiro. Você pode dar ou não, questão de liberdade e poder. A intuição, ou o senso comum, te diz que você deve ajudar o próximo; é dai que vêm seu sentimento de empatia, e até de pena. E, na mesma hora a razão diz que ele pode gastar o dinheiro com outra coisa, que não é alimento, e imediatamente, a razão grita nos seus ouvidos, que se você der dinheiro, terá menos para fazer aquilo que queria ou precisava anteriormente. Ou seja, estamos sempre divididos entre a razão e a intuição. Razão criada pelo homem, a necessidade de explicar tudo. Intuição, criada pelo divino, afinal, até os animais possuem. O sistema foi algo tão bem desenvolvido, que nos prendeu à ele para sempre, em qualquer decisão que tomarmos. É aí que questiono: até que ponto somos livres? Eu conheço a liberdade? Eu faço ideia do que isso significa? Talvez eu não possa ser livre, pois não vá saber lidar com a imensidão disso. O que está ao meu alcance? Bom, eu posso ser livre de preconceitos. Posso aceitar todas as idéias, e medir racional e intuitivamente cada uma delas. Me desprender do sistema? Jamais! Porém, uma coisa eu digo: Posso ser fruto do sistema, mas escolho não deixar o sistema gerar frutos em mim.” – Rodrigo Ribeiro, teoria da liberdade